Cases e Notícias

Conheça em detalhes o Transition Brasilândia

Jardim Paulistano

A Transição no Brasil foi considerada um case mundial para o Movimento de cidades em Transição, na Conferência Internacional de Cidades em Transição que aconteceu em Liverpool.

A sessão de apresentação dos resultados do Brasil contou com a presença de Rob Hopkins e Peter Lipman, criadores do Movimento de Transition Towns no mundo, além de todo o board internacional do Transition.

O crescimento do número de cidades em transição no Brasil tem alcançados números bastante altos se comparado a outros países, além de resultados práticos muito interessantes de engajamento, planejamento e ação. Segundo Rob Hopkins, o Brasil tem um enorme potencial de ação, o que faz com que o movimento se amplie rapidamente, além da capacidade de adaptação que facilita o trabalho e a ação dos grupos.

Para Lipman, saber que a metodologia criada por eles, pode ser útil em lugares como uma Brasilândia, que é uma área de baixíssima renda, faz com que ele se sinta protagonista de uma transformação maior no mundo.

O Brasil ainda traz o diferencial e ser o único país do mundo com um Movimento de Transição em uma comunidade de baixíssima renda, que é a Brasilândia, aglomerado de 43 bairros da Zona Norte de São Paulo, com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Capital.

O programa começou nesta área há um ano, e já tem 8 grupos de trabalho que englobam assuntos como: arte e cultura, Lixo, Segurança Alimentar, Agricultura Urbana, Água e Preservação, revitalização de áreas públicas, e até um dos cursos de sustentabilidade mais reconhecidos no mundo, o Gaia Education, que pela primeira vez, também acontece em uma área de baixíssima renda como esta.

O Gaia Education é considerado pelo UNCTAD das Nações Unidas um dos programas apoiados pelo órgão como contribuição à década da Sustentabilidade no Mundo. Desenvolvido pelo Gaia Education Trust, na Inglaterra, o curso é dado em vários países do mundo, e traz os quatro eixos da sustentabilidade em sua base: Social, Ecológico, Econômico e Visão de Mundo.

Atualmente o grupo de 30 líderes da comunidade está no meio do módulo ecológico e acaba de finalizar a construção de uma sala de aula em super adobe e uma geodésica de bambu. Além do aprendizado de um sistema de tratamento de água de baixo custo e de um forno solar. No primeiro módulo, que é Social, foram abordados assuntos como feedback, comunicação não violenta, liderança sistêmica, facilitação de grupo, entre outros.

O que mais chamou atenção na apresentação internacional foi a quantidade de grupos de trabalho e de ações já realizadas no Território, atualmente são seis grupos:

a) Zero Lixo: Que vem realizando o mapeamento das áreas em que é jogado lixo de forma irregular, para que seja na sequencia feito um trabalho de conscientização e de revitalização destes espaços, para evitar que as pessoas continuem poluindo esses locais. Foi realizada uma oficina de compostagem chamada Do meu Lixo Cuido Eu, que capacitou 30 agentes comunitários e líderes comunitários a fazerem a compostagem doméstica.

b) Revitalização de Áreas Públicas: Foi realizada uma obra na praça Benedicta Cavalheiro que revitalizou o espaço, instalou 6 bancos, brinquedos, mesas de jogos de damas, foram pintados no chão jogos infantis, plantadas 50 árvores frutíferas, 30 caixas de flores, além de um lindo grafite feito ao longo do muro da praça por artistas da própria comunidade.

c) Arte e Cultura : Este talvez seja um dos eixos mais ativos do local, que antes d Transition não possuía espaço cultural, e que por conta da mobilização e envolvimento do poder público e comunidade, acabaram por abrir um espaço ocioso, que corresponde hoje à Casa de Cultura da Brasilândia.

Além disto, dois grupos vêm resgatando a história do local, a equipe da Brasilândia Filmes, que capacitou 13 jovens para a realização de filmes e realizou um documentário contando a história da Brasilândia que agora está sendo apresentado nas escolas. E hoje registra todos os eventos do Transition, realizando neste momento um documentário sobre o assunto.

Os Guardiões Griô, ou seja, os guardiões da cultura oral vêm resgatando as histórias e danças típicas dos anciões da região, e realizando eventos onde são repassadas para os jovens, danças como: Samba de Umbigada, Jongo, etc.

O Cine Escadão é um projeto da Ong ABC Palmares, e visa democratizar o cinema na região, já que não existe nenhuma sala no local, então os filmes são passados nas paredes dos prédios, e as arquibancadas são os escadões da comunidade.

d) Verdelândia : é o projeto de agricultura urbana da região já conta com 7 hortas comunitárias em diversos locais, e pretende auxiliar, onde as áreas não estiverem contaminadas, o projeto do lixo. Hoje somente uma das hortas, que fica no fundo da UBS Guarani, foi feita em uma área onde antes era jogado lixo ilegalmente. Atualmente é a maior horta da região.
e) Água e Preservação: Preservar as cachoeiras da região, e evitar que as pessoas poluam a Cantareira, são os principais objetivos deste grupo que e formado por várias entidades, entre elas o Saci, que forma crianças para serem agentes ambientais, e o Movimento Ousadia Popular, que visita todas as cachoeiras, as filma e faz ações junto aos órgãos e opinião pública para conscientizar as pessoas e preservar as águas e a natureza da região. Muitas áreas verdes da região são localizadas dentro do Parque da Cantareira, que é o maior parque urbano do Mundo, e responsável por 70% da água de São Paulo.
A organização Recanta – Rede de Cooperação da Cantareira também reúne varias entidades para promover projetos na região e resgatar a florestania urbana. Eles acreditam que o povo que vive na Brasilândia, também é um povo da Floresta Urbana, e tem que se conscientizar disto e cuidar desta floresta.

f) Feira de Trocas : Este projeto envolve todo o eixo econômico da região e procura além de mapear os negócios locais, incentivá-los a crescer e se fortalecer. As feiras de trocas também são uma prática sistemática na região, e permitem levar uma noção mais abrangente de riqueza, que é composta pelos valores locais, e por aquilo que as pessoas produzem e podem trocar por serviços e outros bens novos ou usados. Nesta feira não é usado dinheiro, somente uma moeda local chamada Talento.
g) Segurança Alimentar : Este programa foi formado por um curso de alimentação saudável, e utilização de plantas nativas da região, e que contém muitas vitaminas, e foi ministrado pela Dra. Clara Brandão, uma médica que atua nesta área de nutrição há muitos anos, sendo inclusive a autora da fórmula da Multimistura (fórmula nutricional utilizada pela Pastoral da Criança para combater a desnutrição infantil com grande êxito) . Esse curso foi dado para 180 agentes de saúde, que vem repassando esse conhecimento para a comunidade.
Mais dois grupos estão agora em gestação, que são o História na escola, e o Esporte na Brasa, onde serão desenvolvidos estes dois eixos, o de resgatar a história da Brasilândia e repassá-la para as escolas, e o de formar as crianças para práticas esportivas como futebol, basquete, vôlei entre outros.